(por Marcella Sobral)
Deixa beijar, Sereia, Preguicinha, Arranha-céu, Pink vigarista… Saiba por que as empresas abusam cada vez mais da criatividade ao batizar os esmalte.
Desde que os esmaltes saltaram definitivamente dos salões de beleza para a casa, como um acessório de moda que toda mulher tem aos montes – somente em 2009, a produção creceu 36%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene, Perfumaria e Cosméticos -, não basta emabalar a cor do momento. É preciso fazer dela um objeto de desejo. E é aí que a criatividade e o marketing entram. Atualmente, as principais marcas do mercado têm reuniões seríssimas para decidir que o que a gente antes chamava de vermelho agora se chama Deixa Beijar, que Sereia é o novo verde, e que Preguicinha virou sinônimo de rosa.
A designer Fern Echeverria, de 27 anos, tem uma gaveta cheia de esmaltes e já chegou a parar gente na rua para perguntar que cor era aquela. Muitos deles ganham sua simpatia pelo nome diferente. – Escolho muito esmalte pela internet, apesar de a cor nunca ficar igual. Então acabo sendo influenciada pelo nome também – diz Fern, que se lembra exatamente do último esmalte que usou. – Passei o Brilho da Noite, um preto metalizado.
- Hoje a marca ousa mais nas cores e nos nomes, para agradar desde as consumidoras mais tradicionais até as mais antenadas – analisa Mel Girão, diretora executiva de marketing da Risqué. – Além da cor, o próprio nome do esmalte acaba entrando no circuito da moda.
As empresas de cosméticos aliam tendências de cor e de comportamento, além de novidades que surgem nas passarelas, até chegar a um nome final.
- Alguns surgem com muita rapidez – diz Adriana Garcia, do marketing da Colorama. – O Arranha-céu, por exemplo, veio quase de imediato quando olhamos a cor: um cinza urbano super moderno.
O processo parece simples quando se vê um Rosa Chiclete na prateleira, mas pode durar meses. E nem sempre o nome inicial – geralmente é apresentado mais de um – é o que vai parar no rótulo. Foi assim com o Tech, da Impala.
- Ele iria se chamar Eletric, mas mudamos em cima da hora – lembra Pedro Munhoz, gerente de produto da Impala. – Achamos o nome muito grande. E Tech tinha mais a ver com a cor, laranja fluorescente.
Se o nome foi determinante ou não, ninguém saberá. Fato é que o laranjão é um dos grandes destaques da temporada. As equipes de marketing, afinal, garantem que a cor continua vindo em primeiro lugar, mas assumem que um bom nome ajuda bastante.
- Para a brasileira, a escolha da cor está relacionada ao seu estado de espírito – acredita Adriana. – O nome ajuda a tornar tudo mais lúdico e interessante. É o caso do Batom Vermelho, que representa bem a busca pelo tom vermelho sedutor.
Quanto a isso, não há dúvida. Não é muito melhor falar para a amiga que você acaba de sair da manicure com o Quinta Avenida nas mãos e o Puro Glamour nos pés? Ou então que resolveu ousar com o Pink Vigarista ou com o Apuro Violeta?
E uma NOVIDADE sobre os esmaltes…
(Meio & Mensagem) A Coca-Cola fechou uma parceria com a Nails Inc. para lançar uma linha de esmaltes. Intitulada “Diet Coke” a coleção possui quatro cores, cada uma representando uma grande capital : nude é a cor de Londres, Paris é violeta, Nova York é pink e vermelho para Milão. Por enquanto, os potinhos de esmaltes são dadas como presentes para aqueles que compram garrafas de Diet Coke na rede de cosméticos Boots na Inglaterra. Não há previsão de vendas no Brasil.
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